Formiga
- Larissa Mancia
- 16 de jul.
- 2 min de leitura
Uma Pequena Grande Jogadora
Antes de ser a famosa Formiga, ela foi Miraildes Maciel Mota, uma menina que desde cedo descobriu sua paixão pelo futebol. Ela chegou inclusive a arrancar a cabeça de uma boneca para usar como bola.
Formiga por Galeria da Lalo e Formiga, no seu jogo de despedida. Fonte UOL
Quando ela nasceu, em 1978, o futebol era considerado um esporte só para homens, inclusive nessa época existia no Brasil uma lei que proibia mulheres de jogarem futebol. Quando Formiga tinha 12 anos essa lei já não existia mais e ela pôde participar de seu primeiro campeonato, no qual ganhou o apelido que marcaria toda sua vida: Formiga. Pequenininha e rápida, a garota atravessava o campo de um lado para o outro para ajudar o seu time.
Desde então, Formiga cresceu e virou a ÚNICA futebolista do mundo, entre homens e mulheres, a jogar 7 olimpíadas. Ela jogou mais de 20 anos com a camisa verde-amarela e também foi a esportista que mais participou de Copas do Mundo. Trouxe para o Brasil diversas conquistas, como medalhas de prata na Copa e de ouro no Pan.
Viveu para ver as novas gerações de jogadoras chegarem. Viu mudanças, quebras de paradigmas e foi fundamental para uma mudança de olhar do país para o futebol disputado entre mulheres, trazendo-o como protagonista no coração dos brasileiros.Hoje em dia, aposentada, ela segue atuando ativamente com diversas instituições de caridade e projetos sociais que utilizam o esporte como ferramenta de inclusão.
sobre a lei de proibição do futebol: No Brasil, a prática do futebol feminino foi proibida por 40 anos através do Decreto-Lei nº 3.199, assinado em 14 de abril de 1941 por Getúlio Vargas. O Artigo 54 do decreto vetava esportes "incompatíveis com as condições de sua natureza", sob o argumento médico e social de preservar o corpo feminino para a maternidade. A lei não citava a palavra "futebol" diretamente, mas o Conselho Nacional de Desportos (CND) ficou encarregado de regulamentar os esportes. Com o aumento da popularidade das partidas femininas na época, a repressão tornou-se oficial.
Para deixar o veto inquestionável, o órgão publicou a Deliberação nº 7 em 1965, durante a ditadura militar. Esse documento listou explicitamente as modalidades proibidas para as mulheres, que incluíam: futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo aquático, polo, rúgbi, halterofilismo, beisebol e lutas de qualquer natureza.
Resistência e revogação:
Durante essas quatro décadas, a prática não desapareceu por completo. Muitas mulheres continuaram jogando na clandestinidade, na várzea ou em espaços periféricos, muitas vezes organizando partidas que eram interrompidas e dispersadas à força pela polícia. A proibição só chegou ao fim em 1979, após intensa pressão de movimentos feministas e grupos de direitos humanos, quando a Deliberação do CND foi revogada. Apesar de liberado em 1979, o futebol feminino no Brasil só foi oficialmente regulamentado e aceito em competições estruturadas quatro anos depois, em 1983.
Pesquisa inspirada no livro Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes - 100 Brasileiras Extraordinárias [Ed. Outro Planeta I 2023 ]







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