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Ada Rogato

Uma Mulher que queria Voar

Ada não foi a primeira mulher a tirar o brevê de pilota, mas as aventuras e conquistas da paulistana, que viajava sempre sozinha, a colocaram na lista das maiores aviadoras que já tivemos. Não é por acaso que ela ganhou o emblema de aviadora da Força Aérea Brasileira, sendo a primeira civil a receber essa homenagem no país.

Ada era filha de um casal de imigrantes italianos. Ela sabia bordar, costurar e tocar piano, mas queria mesmo era voar. Para sua família, isso era uma maluquice, então ela juntou dinheiro e pagou suas próprias aulas.


Ada Rogato por Galeria da Lalo e Ada Rogato.


Ada foi a primeira sul-americana a conquistar a permissão para voar com planadores em 1935. Um ano depois, obteve licença para pilotar um avião a motor e ainda foi a primeira pessoa a tirar o brevê de paraquedismo no Brasil, tendo saltado mais de cem vezes.

Em 1950, ela atravessou a Cordilheira dos Andes, ida e volta, pilotando um avião a motor de 65 cavalos de potência, batizado de Brasileirinho. Foi a primeira a sobrevoar os Andes em uma aeronave com esse tipo de motor, que era quase um teco-teco. Nessa viagem, ela percorreu 11 mil quilômetros em 116 horas de voo solitário, ao contrário de outras pilotas que costumavam voar acompanhadas.


Depois dessa viagem ousada, Ada não parou mais e iniciou uma nova jornada de cruzar as Américas. Partiu do Rio de Janeiro e percorreu 28 países, enfrentando novamente a Cordilheira dos Andes. Percorreu a costa do Oceano Pacífico até o Alasca. Foram 51 mil quilômetros em uma aventura que gravou seu nome na história como a aviadora a percorrer a maior distância sem copiloto.


Mas ela queria mais. Em 1952, saiu de São Paulo para atingir o aeroporto mais alto do mundo em La Paz, a 4 mil metros de altitude, e por sua coragem recebeu a condecoração Condor dos Andes do governo boliviano. Fez uma nova jornada em homenagem ao cinquentenário do primeiro voo do 14-Bis de Santos Dumont, realizando outra proeza ao ser a primeira a sobrevoar a selva amazônica em um avião pequeno e sem rádio. No caminho, parou em aeroportos improvisados e conheceu tribos indígenas.


14-Bis de Santos Dumont


Cordilheira dos Andes e a Floresta Amazônica


Ada Rogato quando viajou pela Amazônia conhecendo tribos indígenas. Crédito: casadaboiacultural


Eram tantas conquistas que os jornais a chamavam de "gaivota solitária" e "águia paulista". Ela ainda foi presidente da Fundação Santos Dumont e dirigiu o já extinto Museu da Aeronáutica de São Paulo. Ada teve muito reconhecimento em vida, sendo elogiada inclusive pelo astronauta Neil Armstrong. Ela morreu aos 75 anos, sem nunca ter se casado.

A jornada de Ada é extremamente inspiradora e nos mostra que nem o céu é o limite para os nossos sonhos e que não precisamos de nada nem ninguém para alçar voo, apenas nós mesmas.




Trechos retirados e inspirados no livro Extraordinárias - Mulheres que Revolucionaram o Brasil [Ed. Seguinte I 2019 ]

 
 
 

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